“Quando você diz que é de Cuba, as pessoas o bombardeiam de perguntas”, comentou Camila Gúzman à imprensa durante o Festival de Cinema de Lima, enquanto explicava os porquês de ter realizado seu primeiro documentário. Intitulado El telón de azúcar, o filme, tido como um dos melhores documentários do evento, trata de recuperar a Cuba dos tempos de infância da realizadora, hoje com 36 anos.
Segundo Camila, a idéia de fazer o documentário surgiu em 1999, quando olhou ao seu redor e se deu conta de que não havia nenhum registro que contasse a história da primeira geração de cubanos pós-revolução. “Acredito que existe uma idéia muitos polarizada sobre Cuba, e isso me surpreende, porque as coisas não são assim. São muito mais complexas do que isso”, disse Camila. Com El telón de azúcar, a diretora espera economizar muita explicação sobre como era a Cuba dos projetos da Revolução e o que se tornou após décadas de resistência do regime comunista de Fidel Castro.
Filha do reconhecido documentarista chileno Patrício Gúzman (Salvador Allende, 2004), Camila Gúzman Urzúa nasceu em Santiago, no Chile, e foi viver em Cuba aos dois anos. Deixou o país no fim da década de 80 para dedicar-se a cinema e trabalhar com o pai. Estudou em Londres, na LCPDT, e em Paris, na Les Ateliers Varan. El telón de azúcar é seu primeiro filme.
Por Camila Moraes
