Já era tempo da América Latina reunir sua produção cultural para então compartir-la, rompendo fronteiras pelo menos no plano virtual. Docfera, um banco de dados online de documentários latino-americanos com estréia prevista para novembro, é uma das primeiras iniciativas neste sentido.
Sua diretora Andrea Hirsch, ela mesma documentarista, falou à Latina para dar mais detalhes do projeto, que tem sede em diferentes países e cujo grande objetivo é chegar a cada pessoa interessada em ter acesso a documentários latinos.
Confira e, em breve, aproveite.
De onde surgiu a idéia de criar a Docfera?
Venho de uma tradição de preservar a cultura latino-americana. Em minha opinião, o documentário é uma demonstração do que é nossa cultura. Por algum motivo, na América Latina não somos muito interessados em formar arquivos, mas, por outro lado, filmamos muito. Acreditamos que, criando o arquivo mais completo de documentários latino-americanos, vamos preservar a história e, além disso, vamos fazer com que nossos excelentes realizadores possam ser vistos em todo o mundo, subtitulado no idioma que esse país, instituição ou pessoa queira. Por isso, criamos a Docfera..
Onde fica a sede principal do projeto e quais são seus braços?
A Docfera tem dois sedes principais. Buenos Aires, que é a sede operativa, e Rio de Janeiro, que é a sede legal. Tanto a Argentina como o Brasil são neste momento os países com que estamos trabalhando mais intensamente. Temos, além disso, uma sede em Bogotá e outra na Cidade do México. A sede de Buenos Aires se ocupa da Argentina e de países limítrofes, como Chile, Uruguai e Bolívia. O Brasil, como é muito grande, somente se ocupa dele mesmo. O mesmo acontece com o México. A Colômbia está em planos de se ocupar também do Peru e da Venezuela.
Qualquer um poderá ter acesso ao sistema? A quem se dirige o projeto?
O projeto é uma novidade, porque pretende se dirigir basicamente a todas as universidades fora da América Latina, que, por diversos motivos, não têm acesso a esse material. Há muitíssimas universidades que se interessam pela América Latina. Em outras palavras, não estamos pensando naquelas especializadas em documentários, senão, por exemplo, aquelas que tenham um departamento de literatura, música etc. Além disso, qualquer pessoa que tenha sua senha poderá ter acesso à Docfera.
Como se dará o acesso dos usuários depois de realizada uma busca?
Haverá diferentes tipos de acesso de acordo com a qualidade do vídeo. A Docfera pretende que se possa ver o material em celulares, palms, computadores e em plasma. Nos casos dos computadores e dos plasmas, teremos diferentes qualidades disponíveis. Por cada vídeo se cobra um preço diferente, de acordo com a qualidade do download.
Como funciona o sistema DRM e por que é um método tão seguro?
O DRM é o método de proteção de direitos autorais mais seguro que existe atualmente. Os técnicos encriptam o material, que, além disso, terá o acompanhamento da nossa equipe de advogados.
Os autores dos documentários oferecidos no banco terão como saber quem acessa suas obras?
Cada realizador poderá seguir a partir de seu próprio computador onde foram vistos seus filmes ou então onde estão sendo vistos em determinado momento. Os autores terão controle absoluto disso. A idéia é que tudo seja transparente.
Como é realizado o trabalho de curadoria para a escolha dos filmes?
Nossos curadores são pessoas de longuíssima trajetória e muito respeitadas no meio audiovisual. A maioria é de professores e participa em muitos festivais. Os curadores elegem os documentários, mas, além disso, têm que fazer todo um trabalho que implica saber os dados que farão parte da METADATA. Caso tenham alguma dúvida, os curadores podem usar a própria Docfera para ver conjuntamente um documentário e então decidir se ele deve estar no banco. Há uma comunicação fluída, e duas vezes por ano a equipe deverá se juntar para repensar os critérios de busca.
Quem organizará os já anunciados Festivais Online e para qual público?
Ainda estamos nas preliminares dos Festivais. Seria muito apressado e eliminaríamos o efeito surpresa se os anunciássemos por completo agora.
Quando será a estréia da Docfera para o público?
Será em 60 dias, com 100 documentários escolhidos por curadoria e subtitulados.
Quais são os planos para o projeto no futuro?
Poder chegar a todas as pessoas que tenham computador e estar presente nos museus mais importantes do mundo. Na verdade, já estamos em alguns… Pessoalmente, estaria muito feliz de poder integrar universidades indianas e chinesas à Docfera.
Por Camila Moraes
Foto: a documentarista colombiana Martha Rodriguez durante as filmagens de Chircales.
