Terá início em 24.07, para a alegria do público cinéfilo paulistano, o 2º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. O evento foi aberto para a imprensa há uma semana, em 13.07, com a exibição do filme Frida – Natureza viva, realizado pelo mexicano Paul Leduc em 1986. O longa faz parte das homenagens aos 100 anos que Frida, falecida em 1954, completaria se estivesse viva hoje. A vinda de Leduc para uma aula magna em 28.07 promete ser o ponto alto desse tributo.
Frida – Natureza viva realiza uma reconstrução do período vivido pela pintora no México, retratando suas experiências íntimas e conflitos em face aos problemas de saúde com os quais teve de aprender a conviver desde sua infância. Leduc ambienta o enredo construindo uma narrativa que envolve o espectador na melancolia e na amargura que caracterizam a intrigante personalidade de Frida. No relato, os amores por ela despertados em homens como León Trotsky e o muralista Diego Rivera dão uma idéia de sua dimensão intelectual.
A densa atmosfera criada em cena por Leduc se distancia da proposta ficcional de Frida (2002), de Julie Taymor, último filme realizado sobre a pintora e protagonizado pela atriz mexicana Salma Hayek. Na versão de Leduc, as imagens se sobrepõem de forma mais cadenciada e intensa, atestando a atemporalidade da mensagem de Frida, mulher e artista.
Outras filmagens sobre a vida de Frida poderão ser conferidas em sessões do festival programadas para a Sala Cinemateca. Frida Kahlo, curta-metragem de Manuel Michel, tem exibição prevista às 21h de 24.07, seguida de outro filme de Leduc, Reed, México insurgente, na mesma sessão. Evocações de Frida, de Marcela Fernandéz Violante, abrirá a sessão para A adolescente, de Luis Buñuel, às 19h de 26.07, no mesmo espaço.
Além da Cinemateca, haverá atividades e exibições no Memorial da América Latina e no Cinesesc. O 2º Festival de Cinema Latino-Americano tem programadas também mesas de debate compostas por personalidades de destaque do cinema de nossa América. Privilégio que nós, paulistanos e amantes do cinema latino, aproveitaremos de bom grado.
Por Carlos Primo Vaz
