Sorry, this entry is only available in Español.
(Español) Cinema em Punta del Este
Sorry, this entry is only available in Português.
Berlim-2008: latinos aumentam a presença
Sorry, this entry is only available in Português.
Festival de Cine Pobre, em Cuba, convoca participantes
Acontece de 14 a 20.04 em Gibara, em Cuba, a sexta edição do Festival Internacional del Cine Pobre, organizado pelo Instituto Cubano del Arte e Indústria Cinematográficos (ICAIC) e especialmente dedicado à um cinema “libertário, independente, íntegro, transgressor, marginal, contra a corrente e pobre” – usando as palavras da organização do evento, cujo curador é o cineasta cubano Humberto Solás.
O festival está dividido em seções, como a de projetos em andamento e roteiros inéditos, documentários, video arte e obras experimentais, mostra de novas tecnologias e homenagens. Em todos os casos (projetos analógicos ou digitais), a regra é o baixo orçamento, e para quem quiser competir, a data limite para o envio de material é 15.01.
Mais informações no site do evento: www.cubacine.cu/cinepobre.
Clássico Soy Cuba é relembrado no Festival de Cinema Latino de SP através de documentário de Vicente Ferraz
Muito se fala da estética dura e marcadamente fria do período soviético, mas pouco se sabe da união imagética entre Cuba e a extinta União Soviética. O clássico Soy Cuba (1964), de Mikhail Kalatozov, vai além dos temores que circundavam a Guerra Fria. O mais curioso sobre o filme é que só foi exibido em Havana e Moscou, o que o manteve desconhecido pelo resto do mundo até os anos 90, quando os diretores Martin Scorsese e Francis Ford Copolla o recuperaram, agitando a imprensa mundial.
Soy Cuba é, sem sombra de dúvida, o filme mais atingido pelo isolamento imposto a Cuba pelos Estados Unidos. Mas é também uma película repleta de plasticidade e ousadia, mesmo no fértil momento do cinema da década de 1960.
Em plena guerra dos mísseis, o governo soviético enviou o diretor Mikhail Kalatazov e uma equipe de pré-produção - que incluía diretores de fotografia, maquinistas - para rodar “o grande filme cubano”. A história é ambientada em quatro recortes, começando com a Cuba pré-revolucionária, sem diálogos. O ritmo do filme é contemplativo, lento, e é aí que ganha sua força histórica e estética.
Soy Cuba foi patrocinado com fins ideológicos, mas acabou se tornando uma das maiores obras-primas da história do cinema com a pior audiência possível, o que provou ser este um testemunho maior do que a Guerra Fria. Por um lado, a produção não serviu aos propósitos do regime soviético por não ser “comunista o suficiente”, além de “experimental em demasia”. Já os americanos o consideravam comunista demais, por isso foi impedido de ser veiculado em seu território e em países aliados. Dentro de Cuba, a reação foi de resistência, por ter sido tachado de frio e distante da real personalidade dos cubanos.
Toda saga da realização dessa obra – e de sua repercussão no mundo - é mostrada no documentário Soy Cuba, o Mamute Siberiano, de 2004, que marcou a estréia como diretor do brasileiro Vicente Ferraz. Em entrevista durante o Festival do Rio, em 2005, quando lançou seu documentário, Vicente dá sua opinião sobre o clássico cubano-soviético: “Soy Cuba era para ser um poema filmado em quatro esquetes sobre aquela ilha que acabava de se tornar o primeiro representante do regime socialista nas Américas. Porém, as lentes que registraram esse épico tinham sujeitos de outra formação cultural. Por isso, acredito que a questão da não-identidade do povo cubano foi um grande motivador para que o fracasso acontecesse”.
Soy Cuba chegou a ser re-exibido ao público cubano, na sala Chaplin, a maior de Havana. Segundo o roteirista Enrique Pineda, a reação quarenta anos depois foi outra, graças também ao documentário de Vicente Ferraz: “Era, enfim, a ressurreição do sonho de tantos trabalhadores, de toda uma nação, a transposição daquele que fora visto como um ideal falido. Foi como se o cinema voltasse a nascer pelo próprio cinema. Eu, particularmente não gostava do resultado do filme, mas a partir do documentário comecei a perceber valores essenciais”.
Para os interessados em entender a importância desse clássico, a boa notícia é a exibição do documentário Soy Cuba, o Mamute Siberiano durante o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que começa nesta segunda-feira. A sessão acontece dia 27.07 na sala 1 do Memorial.
Confira a programação completa em: www.memorial.sp.gov.br.
Por Paula Skromov
El Benny: mito cubano vira filme premiado
A película El Benny, uma das mais premiadas do cinema cubano contemporâneo, retrata a trajetória de Benny Moré, artista que através da música e da dança fez multidões delirarem nos salões e cabarés de luxo da Cuba pré-revolucionária. A história aborda desde sua chegada à ilha até o auge de sua jazz band, passando pelo envolvimento com políticos corruptos e por conflitos com a polícia. A trilha sonora do filme é um capítulo à parte, profundamente pesquisada e contextualizada dentro da vida e obra de Benny.
Finalmente realizada por Jorge Luis Sánchez depois de 11 anos em busca de um produtor, o filme apresenta o glamour, o brilho e o desespero de uma das figuras mais importantes do século XX para a cultura cubana. Sánchez relata ao site Cubacine: “Tive bastante tempo para pensar este filme e desenhá-lo. Ou seja, para planificar como seria o trabalho com fotografia, direção de arte, som e as atuações. Ensaiei muito com os atores as coreografias de Benny”. Sobre o resultado final, Sánchez diz relutante: “Este filme é a própria desproporção, como diria Julio García Espinosa, diretor da Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba. Acho que o cinema cubano precisa de desproporção nesse sentido. É um filme feito com recursos limitados e, apesar disso, não busca o sentido naturalista da representação histórica e sim a expressão da personagem”.
El Benny foi lançado no ano passado em Havana e apenas 15 dias após sua estréia, foi visto por mais de 150 mil pessoas na capital. Esse público representa quase 10% da população da cidade. O filme teve forte reconhecimento internacional e recebeu vários prêmios, como o Prêmio Coral de Melhor Filme no 28º Festival Internacional de Havana (2006).
Saiba mais no site oficial: www.bennymorefilm.com.
Por Paula Skromov
