O documentário espanhol Lucio estreou em setembro na seção Especial Zabaltegi do Festival de Cine de San Sebastián, com a presença dos dois diretores bascos, Jose Mari Goenaga e Aitor Arregi, dos produtores e do próprio Lucio Urtubia.
Para que se saiba mais sobre este personagem, que representa a luta anarco-sindicalista espanhola e antifranquista, a idéia do filme é mesclar imagens de época e também recriar episódios em que Lucio nos anos 70, principalmente, foi tido pela imprensa como “bandido bom” ou o “Zorro Basco”, quando falsificava documentos e imprimia e disseminava propaganda anarco-sindicalista debaixo dos olhos censores do regime do ditador Franco na Espanha.
Há depoimentos e comentários sobre Lucio ter sido alvo de mandados de busca e captura por Tribunais Internacionais, incluindo a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), quando conseguiu burlar o principal banco dos Estados Unidos – o First National Bank (hoje Citibank) –, falsificando cheques de viagem e causando um desfalque de cerca de 20 milhões de euros na época. O acontecimento culminou em uma das piores crises do banco.
Lucio Urtubia deu apoio a personagens históricos como Eldridge Cleaver, o líder dos Panteras Negras nos Estados Unidos, e Quico Sabaté, um dos máximos expoentes da guerrilha urbana na Catalunha, severamente castigada pelas tropas franquistas. O filme também traz à memória os encontros que Lucio manteve com André Breton, Albert Camus e Ernesto Che Guevara.
Ainda ativo, Lúcio - que nasceu em Cascante em 1931 - vive desde 1954 em Paris, quando partiu em exílio e onde administra o Centro Cultural Louise Michelle, em que se levam a cabo atividades culturais e solidárias com diversos movimentos sociais de todo o mundo.
O trailer do filme pode ser visto no site: www.lucio.com.es.
Por Paula Skromov
