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Butaca’s Critics corner


Archive for June, 2008

Festival brasileiro de cinema em LA

Já era hora da capital mundial do cinema se abrir ao cinema brasileiro (ou não?). O fato é que já está anunciada a inauguração de um festival de cinema do Brasil em Los Angeles, segundo informou a revista Variety.

O evento, batizado de Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), acontece nos próximos dias 07, 08 e 09.03 no Teatro Landmark (Westside Pavilion, West Los Angeles), com abertura do filme Bellini e o demônio, do diretor Marcelo Galvão, e encerrando com o lançamento nos Estados Unidos de O homem que desafiou o Diabo, de Moacyr Góes.

Criado pela cineasta Meire Fernandes, o festival espera receber um público de cinco mil espectadores para 30 filmes e 27 sessões de cinema, incluindo longas, curtas, documentários e até títulos de animação. Paralelamente à programação de filmes, nas manhãs do sábado e domingo, produtores e diretores brasileiros terão a oportunidade de participar dos fóruns de discussão, organizados pela produtora Deborah Calla, com executivos da indústria de cinema americana.

Em nota publicada pela agência EFE, consta que, na primeira delas, o produtor Marc Bechar, o co-produtor de Cidade de Deus, Don Ranvaud, e o presidente da Film Finders, Sydney Levine, explorarão as oportunidades de co-produção de filmes com o Brasil e o lugar que as produções deste país ocupam no circuito internacional. A segunda mesa-redonda será integrada por diretores dos estúdios Disney e produtores brasileiros, que debaterão a criação de conteúdos para as plataformas digitais.

Segundo informa a própria instituição, o LABRFF é uma entidade sem fins lucrativos, e parte dos fundos arrecadados, durante o festival, será destinado a quatro instituições de ajuda humanitária no Brasil, através da parceria com a Brazil Foundation. O patrocínio do evento é da Havainas.

Mais no site oficial: www.labrff.com.

Foto: cena de Não por acaso, um dos filmes do festival ainda inéditos nos EUA.

Festival de Miami, que começou dia 28, completa 25 anos

Outro festival predominantemente latino já em curso é o Festival Internacional de Cinema de Miami (MIFF), que deu a largada para sua 25ª edição na última quinta-feira, 28.02, e segue com cinco categorias competitivas, além de mostras e eventos paralelos, até o dia 09.03 (domingo).

Em ano de celebração – o festival completa em 2008 seus 25 anos –, a programação inclui mais de 160 produções provenientes de 50 países. Do Brasil, compete Estômago, de Marcos Jorge, e compõe o júri a cineasta Tata Amaral. Na categoria de documentários, estão Jogo de cena, de Eduardo Coutinho (em première internacional), Santiago, de João Moreira Salles, e Andarilho, de Cao Guimarães.

Entre os filmes latino-americanos mais aguardados, estão títulos como o colombiano Perro come perro, de Carlos Moreno; os argentino Cordero de Dios, de Lucia Cedrón, e ¿De quién es el portaligas?, de Fito Paez, o chileno Lokas, de Gonzalo Justiniano, e o uruguaio Vengo de un avión que cayó en las montañas, de Gonzalo Arijón.

Serão premiados filmes nas categorias Longa-metragem do Cinema Mundial, Longa-metragem do Cinema Ibero-americano, Documentário do Cinema Mundial, Documentário do Cinema Ibero-americano e Curta-metragem. Confira os competidores das três principais categorias:

Cinema Mundial:

- Blind, de Tamar van den Dop
- Bliss, de Abdullah Oguz
- Chaiyam, de Kongkait Komesiri
- Confessions of a Gambler, de Rayda Jacobs
- Darling, de Christine Carriere
- The Drummer, de Kenneth Bi
- Foul Gesture, de Itshak (Tzahi) Grad
- Getting Home, de Yang Zhang
- Horror Which is Always With You, de Arkadiy Yankis
- It’s Hard to be Nice, de Srdan Vuletic
- Konyec,de Gabor Rohonyi
- Ocean of Pearls, de Sarab S. Neelam
- Tricks, de Andrzej Jakimowski
- Unfinished Sky, de Peter Duncan
- Unrelated, de Joanna Hogg

Cinema Ibero-Americano:

- Blue Eyelids, de Ernesto Contreras
- Cochochi, de Israel Cardenas e Laura Amelia Guzman
- Dog Eat Dog, de Carlos Moreno
- Eat, for this is my Body, de Michelange Quay
- Encarnacion, de Anahi Berneri
- Estômago, de Marcos Jorge
- The Girls, de Rodrigo Marin
- Lamb of God, de Lucia Cedron
- My Time Will Come, de Victor Arregui
- Personal Belongings, de Alejandro Brugues
- Postcards From Lenningrad, de Mariana Rondon
- El Otro, de Ariel Rotter
- Under the Stars, de Felix Viscarret
- Used Parts, de Aaron Fernandez
- The Zone, de Rodrigo Pla

Documentários:

- Divorce Albanian Style, de Adela Peeva
- Andarilho, de Cao Guimarães
- Frontrunner, de Virginia Williams
- Hippie Masala, de Ulrich Grossenbacher e Damaris Luthi
- Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho
- Katrina’s Children, de Laura Belsey
- Lucio, de Aitor Arregi e Jose Maria
- The Old Thieves, de Everardo Gonzalez Reyes
- A Paper Tiger, de Luis Ospina
- Santa Fe Street, de Carmen Castillo
- Santiago, de João Moreira Salles
- Silhouette City, de Michael Wilson
- Stalags: Holocaust and Pornography in Israel, de Ari Libsker
- Stars, de Federico Leon e Marcos Martinez
- Trader’s Dreams, de Marcus Vetter e Stefan Tolz
- Stranded: I’ve Come From a Plane That Crashed on the Mountain, de Gonzalo Arijon
- Very Young Girls, de David Schisgall

Um papo com Rubén Medonza, antes de Cannes

Rubén Mendonza, 28, é o realizador colombiano que acaba de emplacar um projeto de longa-metragem na seção L´Atelier do Festival de Cannes, que acontece em maio. O  nome do filme, ainda não filmado, é La sociedade del semáforo (saiba mais aqui).

Jovem, livre e autor de vários curtas bastante premiados, Rubén trabalha também com publicidade e faz parte de um coletivo de profissionais criativos, ligados ao audiovisual, cujo QG é a sede da produtora bogotana Rhayuela.

Leia abaixo a entrevista exclusiva de Rubén a Latina:

O que você acha da formação de cineasta na Colômbia? Como se formam as pessoas na área no país?

Para mim, o cinema é a casa dos sem-casa. A vocação de todos os que não temos vocação. De nós que temos o sintoma da eterna curiosidade. O cine, em grande, é qualquer tema, qualquer pessoa, quaisquer pessoas. Assim que a escola pode ter um papel importante, mas não fundamental. No caso da Universidade Nacional, onde estudei, agradeço todas as Historias da Arte, Historias do Cinema, Dramaturgia, Literatura. Eu acredito por convicção, assim como acredita a Escola de Cinema e Televisão da Nacional por escassez, que o cinema é outra coisa. Não só as lentes. Querer ver, saber o que se quer ver. Em quanto à formação de cinema, creio que vem desde que a pessoa se interesse por ver. Desde que a curiosidade por qualquer personagem, pessoa ou coisa nos dê uma vontade infinita de registrar algo, de qualquer maneira.

Quais são seus principais trabalhos como realizador cinematográfico? Tem algum que te pareça mais importante?

Eu gosto de todos. Não sei se são bons ou importantes. O que eu gosto é de criar. Escrever, preparar, filmar, armar. São verbos preciosos. Divulgar e vender já não levo tão bem. Creio que são aspectos muito importantes, mas para mim parece que contaminam demais o processo cinematográfico. Mas é assim. Por isso, o bom é trabalhar em equipe, para dividir responsabilidades. Suponho que meu trabalho mais importante seja La cerca, pelas portas que abriu, por ter sido seleção oficial em Cannes e em vinte e tantos outros festivais. Mas, para mim, cada novo trabalho termina sendo o mais importante. Não o melhor, porque na verdade essas categorias, na arte, não têm muito sentido. Mas cada vez me alegra mais encontrar gente nova, evitar atores, evitar grandes estruturas de produção, essas coisas. Entre mais se afina essa engrenagem, mais importante me parece um trabalho.

Você trabalhou com outros cineastas colombianos, como o veterano Luis Ospina. Como foi essa experiência?

Luis Ospina foi uma das figuras mais determinantes da minha vida. Passei dois anos na casa dele, editando dois de seus filmes. Dois labirintos, autênticas pós-graduações de montagem e cinematografia. Ele me deixa opinar, pensar, debater, mas basicamente o que eu mais gosto é de seguir as ordens que dá. É um grande realizador, um grande cérebro, uma grande pessoa, um grande obstinado. Foram documentários que somam 1500 horas de edição, e algumas horas estão entre as mais interessantes e felizes da minha vida. Luis Ospina, por outro lado, é fundamental no que decidi que o cinema seria para mim. Muito mais que a universidade.

Como você vê a atual fase do cinema colombiano, impulsionada pela criação da Lei de Cinema?

Pois bem. Mas não mais que isso. O cinema na Colômbia vai por ondas. Essa é outra nova. Mas, mais que um mar, o cinema colombiano é um naufrágio. Por isso, sempre se chama “Novo cinema colombiano”. Isso é muito suspeito. A Nouvelle Vague francesa foi nova durante um tempo, o Novo Expressionismo alemão também foi uma etapa, o Neo-realismo italiano também. Logo, os cinemas desses países passam a se chamar de outra maneira. O cinema colombiano sempre se chama “novo”, e isso é muito suspeito. Mas é liberador com respeito à obra cinematográfica em geral. Sabendo que se está fazendo para que exista, não porque se vai fazer algo com ela.

O que você anda fazendo em paralelo aos seus projetos pessoais de cinema?

Vivendo. Cada vez mais, estou mais interessado na vida que no cinema.

Fale sobre seu projeto de longa-metragem selecionado em Cannes.

É a história de um indigente obcecado com alterar a duração de um semáforo vermelho, o tempo que quiser. Para montar atos mais longos com artistas, malabaristas, mendigos e doentes que ganham a vida no semáforo. Esses atos começam no circense e terminam na anarquia total, em uma grande festa anárquica. Tem mais de 10 prêmios internacionais e ainda não foi filmado. Isso também é suspeito.

Por Camila Moraes

Estômago e… será 2008 o ano do Brasil no cinema?

Terminou no último domingo, 24.02, o 11º Festival Internacional de Cine de Punta del Este, resgatado em 1998 e, desde então, um importante evento para o cinema latino. O vencedor foi o brasileiro Estômago, de Marcos Jorge, e a vitória vem para fortalecer a boa onda de premiações (e, paralelamente, de bilheteria) do cinema do Brasil.

Estômago, uma co-produção Brasil-Itália, é protagonizado por João Miguel (Cinema, aspirinas e urubus e O céu de Suely), que também foi premiado como melhor ator, e faz uma interessante relação entre comida e poder, com pontos altos para os diálogos. O filme também foi exibido em uma seção especial – gastronômica – do recente Festival de Berlim.

“Para mim é muito importante ver que o público ibero-americano gosta de Estômago, e estou muito feliz que o júri tenha compreendido e amado este filme”, disse Marcos Jorge à Agência EFE após o festival uruguaio. O longa, que estréia em abril no Brasil, é a estréia de Marcos como diretor de ficção; antes, ele trabalhou em publicidade e documentários.

Ponto(s) pro Brasil

Sem falar da vitória pouco esperada de Tropa de elite em Berlim – e de suas estréias internacionais, já anunciadas na Espanha e nos Estados Unidos –, o Brasil tem alguns motivos para comemorar o bom momento que vive seu cinema em termos de prêmios e até de bilheteria.

Falando somente por cima, Estômago foi premiado no Rio de Janeiro, em 2007, em Punta del Este e em Rotterdam, na Holanda, onde irá estrear comercialmente. Meu nome não é Johnny, de Mauro Lima, ainda em cartaz nas salas brasileiras, já contabiliza um público de 1,7 milhões de espectadores em apenas dois meses em cartaz.

Mas parece que a coroação da boa fase virá mesmo em maio, em Cannes, onde acredita-se que são muito altas as chances do Brasil entrar (com mais de um representante) na competição oficial. Será 2008 um ano importante para o cinema brasileiro?

Por Camila Moraes

The price of sugar, um filme sobre a escravidão e o Caribe

Todos os anos, milhares de haitianos assolados pela miséria e a falta de perspectivas em seu país atravessam a fronteira entre Haiti e República Dominicana para servir como mão-de-obra barata nos grandes latifúndios de açúcar dominicanos. Essa massa de gente sem direitos e explorada pelo país vizinho é o principal argumento do documentário The price of sugar, lançado em novembro de 2007 resistindo à forte pressão do poderio açucareiro dominicano.

No filme, o missionário espanhol Christopher Hartley é porta-voz dos haitianos confinados em bateyes, alojamentos bastante semelhantes às senzalas dos antigos engenhos brasileiros, e denuncia os maus-tratos sofridos por essa gente que chega às fazendas amontoada em caminhões e que tem seus filhos também trabalhando no corte da cana. Em sua maioria, os haitianos vivem ilegalmente na República Dominicana e, segundo os funcionários do Departamento de Assuntos Econômicos do país, “não há nada o que se possa fazer”.

São exemplos chocantes os deflagrados pelo longa, que revela a escravidão moderna e exalta a luta popular pelos direitos dos trabalhadores haitianos e de seus filhos apátridas. Esses indivíduos não têm cidadania dominicana reconhecida pelo governo local e, portanto, não podem estudar e nem têm assistência médica gratuita. Nos últimos anos, vêm morrendo de inanição, apesar de seu trabalho sustentar verdadeiros impérios de famílias poderosíssimas como os Vicini, também grandes anunciantes da imprensa local (que, por sinal, abafou o lançamento do documentário).

A narração é do ator Paul Newman, e a direção de Bill Haney, documentarista dos Estados Unidos que lança seu olhar sobre a América Latina pela primeira vez. Apesar de não ter previsão para chegar ao Brasil, The price of sugar já conquistou alguns prêmios de peso, como o de melhor documentário pelo Internationational Black DocuFest na categoria Best Human Rights Watch, além de integrar a seleção oficial do Festival de Seattle, ter recebido menção honrosa no SilverDocs FilmFestival, entre outros.

Por Paula Skromov

Mais Berlim: o curta de Daniel Ribeiro e Tropa de elite na TV

Uma menção importante sobre a vitória brasileira ficou de fora da notícia anterior sobre o recém-terminado Festival de Berlim: Daniel Ribeiro, autor do curta Café com leite, foi o vencedor do prêmio Geração 14 Plus, cujo público (e júri) é formado exclusivamente por adolescentes.

O filme – que, segundo o release do festival, “cria um tipo diferente de patchwork familiar, com seus três personagens que, apesar de estarem bastante perdidos, não perdem o calor humano” – esteve antes na Mostra de Tiradentes e vai participar também, de 29.02 a 07.03, do 48º Festival de Cartagena, no 16º Concurso Iberoamericano de Cortometrajes. Outros 27 curtas foram selecionados para a mostra, incluindo os brasileiros A peste de Janice, de Rafael Figueiredo, Rummikub, de Jorge Furtado, Trópico das cabras, de Fernando Coimbra, e Um ridículo em Amsterdam, de Diego Gozze.

Saiba mais sobre Café com leite no site oficial do filme.

E quanto à Tropa de elite, o grande vencedor do Urso de Ouro vai virar seriado na Globo em 2009. Segundo a Ilustrada da Folha de São Paulo, “há duas possibilidades para o seriado: retomar a história do ponto em que o filme termina ou explorar episódios com o mesmo universo e personagens do longa. Na primeira hipótese, André Ramiro (o André Matias do filme) seria o protagonista”.

E mais: “já a exibição do filme na TV poderá acabar na Justiça. A Record diz que os direitos são dela, uma vez que tem exclusividade com a distribuidora Universal. Mas os produtores dizem que a exclusividade não abrange filmes nacionais”.

Foto: Daniel Ribeiro (com o Urso de Cristal) e amigos em Berlim. Imagem do blog curtacafecomleite.blogspot.com.

Berlim improvável? Tropa de elite leva o Urso de Ouro

A saída estratégica de Tropa de elite da lista de concorrentes de Sundance-2008 para competir em outro lado parece ter colhido seus frutos. Dez anos depois da vitória de Central do Brasil no Festival de Berlim, o filme arrematou o Urso de Ouro deste ano, desbancando 20 candidatos de vários lugares do mundo e, digamos, contra (quase) toda a expectativa da crítica – brasileira e internacional, de acordo com a maioria dos artigos publicados sobre o longa.

Não deixa de ser uma vitória importante para o cinema latino (e para o próprio filme, sem dúvida, que já contabilizou 2,4 milhões de espectadores no Brasil – e agora deverá viajar bastante), que há alguns anos vem chamando a atenção de Berlim. E em 2008, considerando que os concorrentes latinos eram bem poucos, foram muitos os prêmios para a “categoria”. Lake Tahoe, o segundo filme do mexicano Fernando Eimbcke (o primeiro foi Temporada de patos), também saiu vitorioso: recebeu o prêmio Alfred Bauer, para produções que inovam a linguagem cinematográfica. Já outro brasileiro, Mutum, de Sandra Kogut, foi exibido na mostra paralela GenerationK e recebeu menção especial do júri.

Junto com Tropa – que superou os favoritos Sangue negro (que concorre a oito Oscars) e Happy-Go-Lucky –, o júri presidido pelo cineasta grego Constantin Costa-Gravas premiou os seguintes filmes:

Grande Prêmio do Júri (Urso de Prata)
“Standard Operating Procedure”
de Errol Morris (EUA)

Melhor Diretor (Urso de Prata)
Paul Thomas Anderson
por “Sangue Negro” (EUA)

Melhor Atriz (Urso de Prata)
Sally Hawkins
por “Happy-Go-Lucky” (Inglaterra)

Melhor Ator (Urso de Prata)
Reza Najie
por “Avaze Gonjeshk-ha” (Irã)

Contribuição Artística Extraordinária (Urso de Prata)
Jonny Greenwood
pela trilha sonora de “Sangue Negro” (EUA)

Melhor Roteiro (Urso de Prata)
Wang Xiaoshuai (”Zuo You”/China)

Por Camila Moraes

Daniel Burman em dose dupla

Essa é para os aspirantes a realizadores que curtem a deliciosa trilogia made in Argentina sobre assuntos de pais e filhos formada por Esperando o messias, O abrazo partido e Direito de família.

Um dos talentos responsáveis pela onda do novo cinema argentino no início dos anos 2000, Daniel Burman estará presente em dois seminários sobre realização cinematográfica. O primeiro, que é mais um bate-papo sobre sua carreira, será em São Paulo, na Academia Internacional de Cinema (AIC), dia 22.02, às 19h30.

Já o segundo acontece em Buenos Aires, promovido pela revista Haciendo Cine, em formato intensivo de oficina de criação durante os dias 01 e 02.03. As dois jornadas – o primeiro “curso” que Burman se arrisca a dar – se intitulam “Casi como un trabajo: reflexiones sobre el oficio cinematográfico” e vão tratar dos processos (e dificuldades) de realização de um filme. El nido vacío, último filme do diretor, ainda não estreado comercialmente, será usado como exemplo.

Daniel Burman, portanto, em dose dupla. Em ambos os casos, as vagas são limitadas, e o espaço deve acabar rapidinho.

Foto: Daniel Burman (à direita), ao lado do ator Daniel Hendler, o protagonista de sua trilogia.

Cinema em Punta del Este

A tradicional praia dos vips no Uruguai deixa as celebridades de lado e abriga, de 17 a 24.02, o XI Festival Internacional de Cine de Punta del Este, com 17 filmes em competição de dez países, com destaque para bons títulos ibero-americanos.

Da competição oficial, participam Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, China, Cuba, Espanha, França, México e Venezuela, enquanto, nas mostras paralelas, haverá exibições de documentários, curtas e de outros quase 100 longas-metragens.

O destaques da programação vão para Encarnación, da argentina Anahi Berneri, premiado no último festival de Toronto, La León, do argentino Santiago Otheguy, La zona, do mexicano Rodrigo Plá, Postales de Leningrado, da venezuelana Mariana Rondón e os filmes brasileiros Estômago, de Marcos Jorge, Mutum, de Sandra Kogut, e Cachorro sem dono, de Beto Brant.

Entre títulos já consagrados em outros eventos, o festival de Punta del Este conta com a exibição do vencedor de Cannes-2007: Quatro meses, três semanas e dois dias, do romeno Cristian Mungiu. Da Espanha, participa La soledad, de Jaime Rosales, que levou este ano os prêmios Goya de melhor filme, melhor diretor e melhor ator, além de Fados, de Carlos Saura, En la ciudad de Sylvia, de José Luis Guerín, e Mataharis, de Iciar Bollaín.

Representando o Uruguai, estréia o filme Hit, das diretoras Adriana Loeff e Claudia Abend, que presta uma homenagem às canções mais recordadas do país.

O Festival Internacional de Cine de Punta del Este foi inaugurado em 1951 e tem em sua história grandes exibições, mas passou algumas décadas no esquecimento, até ser resgatado em 1998. Hoje é considerado um evento sólido, com presença de bons filmes e de convidados especiais.

Informações de contato estão no site oficial – www.cinepunta.com.uy – que, no entanto, parece estar desatualizado.

Perro come perro no Brasil

Perro come perro, obra-prima do diretor colombiano Carlos Moreno, é um dos filmes ”made in Colombia” que vêm abrindo portas no mercado internacional. O longa, que aborda temas como magia negra, narcotráfico e vingança em uma história passada em Cali, fez parte da seleção de Sundance, agora em janeiro, na categoria World Dramatic Competition.

Apesar de não ter levado o prêmio, Perro… foi bastante comentado no evento, terminando por conquistar a empresa francesa Celluloid Dreams, que acaba de  anunciar a compra dos direitos de distribuição internacional do filme – anunciando-a em seu site como “Cães de aluguel encontra Nove rainhas”.

Apesar de não se estender à América Latina, o contrato inclui exibições no México e no Brasil. Platéia brasileira, fique de olho, que vale a pena conferir.


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