A primeira comédia de Silvio Caiozzi, um dos mais premiados cineastas do Chile, é repleta de toques surreais e baseada em um conto do escritor chileno José Donoso, integrante da geração do Realismo Fantástico.
Entitulada Cachimba e finalizada em 2004, foi exibida no Brasil durante o Festival do Rio de 2005. Para o pai da idéia, sua narrativa se limita ao fantástico, não transbordando pelo gênero: “Eu quis deixar bem claro quem eram os ‘mocinhos’ e os ‘bandidos’ em entrevista à assessoria do festival”.
Quando o estranho casal de protagonistas, Marcos, um funcionário de banco com obsessão pela preservação do passado, e Hilda, sua namorada gordinha, descobrem numa cidade de praia um museu abandonado que abriga a obra de um pintor desconhecido, as coisas tomam um rumo interessante. Surge então um das figuras mais absurdas da história: Don Felipe, guardião do museu. Aí se desenrola uma trajetória em que cabem também críticas ao neoliberalismo e à cultura de competitividade atual.
Na opinião dos críticos, porém, o filme deixa a desejar. Segundo o brasileiro César Zamberlan, do site Cinequanon: “Cachimba não faz jus à boa fase do cinema latino-americano recente e peca pelo tom caricato, maniqueísta e falsamente ingênuo”.
Controvérsias à parte, é fato que Silvio Caiozzi traz em um currículo cheio de trabalhos interessantes: a participação como diretor de fotografia da obra-prima Estado de Sítio (1972), do grego Costa-Gravas, é um deles. Alguns anos depois, com o golpe no Chile, Caiozzi conta que: “[...] Eu e a maioria dos cineastas chilenos fomos trabalhar com publicidade. Afinal, já que não tínhamos mais liberdade de contar nossas histórias no cinema, precisávamos fazer alguma coisa. E a publicidade sempre rendeu um bom dinheiro. Que eu consegui juntar para mais tarde fazer meus próprios filmes como diretor”.
A filmografia de Caiozzi compreende grandes êxitos: La luna en el espejo (1990) ganhou 14 prêmios, Coronación (2000, co-escrito por Silvio Caiozzi e o escritor Jose Donoso), 36 prêmios e, claro, Cachimba, seu último longa, conquistou mais de 15 prêmios internacionais. Em entrevista ao jornalista Oswaldo Lopes Jr., Caiozzi menciona outro de seus trabalhos: “[...] O que mais me enche de orgulho é ser o autor do filme escolhido por voto popular em 2000 como “O Melhor Filme Chileno do Século 20”, Julio comienza en julio (1979). Esse título foi o povo que escolheu, e isso faz toda a diferença”.
Veja mais sobre o filme em: www.cachimba.cl.
Por Paula Skromov
