Diego García-Moreno, documentarista colombiano com mais de 20 anos de experiência, quer provocar uma “catarse social na Colômbia”. Para isso, fez um filme sobre o maior dos símbolos – e o maior dos símbolos do seu país – o coração.
Estréia amanhã (25.10), em toda Colômbia, incluindo seus cantos mais remotos, o documentário Proyectando… El corazón, um longa-metragem que, a partir da história de dois personagens principais, ligados por problemas de coração, tem o objetivo de estabelecer uma relação entre o órgão físico e o coração social. Para isso, e usando o cinema como plataforma mas não se reduzindo a ele, García-Moreno foi na raiz do problema que é chegar ao público, e optou por uma estratégia de distribuição alternativa, massiva e, ele espera, transformadora.
El corazón será exibido simultaneamente em 150 “salas” do país, incluindo espaços como universidades, casas de cultura e praças ao ar livre. Após a projeção do filme, a idéia é comentar seu tema, cantar músicas e ler poesias e, com isso, provocar uma renovação do pensamento de espectadores que estiveram longe do cinema, seja por esquecimento de quem faz os filmes ou por puro desinteresse.
O diretor falou com exclusividade à Latina sobre seu projeto. Confira o bate-papo e torça pela estréia no Brasil (o filme foi parte da última edição do festival É Tudo Verdade, de São Paulo).
Como será a estréia de El corazón?
Será alternativa. Não um evento de tapete vermelho, mas um evento social em que o detonador é o cinema. O filme é uma desculpa para pensar no nosso próprio país, na guerra que nos tocou viver, no nosso coração social que está doente. Estaremos em espaços diferentes, além das salas de cinema, e em diferentes partes da Colômbia, incluindo zonas de conflito.
De que trata o documentário?
É um seguimento a um soldado que foi atingido por uma mina em Medellín, e essa mina se instalou dentro do seu coração. De um lado, por puro milagre, ou “obra do Sagrado Coração”, e de outro, pelo trabalho de um médico, o soldado se salvou. Ele foi operado por um especialista local em operações de coração aberto por trauma, um dos poucos no mundo, cuja mulher mais tarde também adoeceu do coração. Tudo isso no país do Sagrado Coração, e do coração em guerra, que é a Colômbia.
Qual sua opinião sobre o atual panorama de incentivo à produção cinematográfica na Colômbia?
Acho que está muito bem. Minha crítica é que o incentivo à produção de documentários seja tão reduzida. Apesar da lei de cinema ter oferecido ajudas – El corazón, por exemplo, faz parte disso –, pouco ainda foi feito, sobretudo num país como a Colômbia, em que a produção documental tem enorme importância. Enfim, ainda estamos por construí-lo.
Na sua opinião, a Colômbia tem tradição documental?
Há documentários importantes aqui. O fato é que, nos países latinos, a relação com o real é extremamente importante. É uma necessidade, independente de falar de uma cinematografia. É criar memória, é ser testemunha de seu próprio tempo.
