Butaca’s Critics corner


Archive for July, 2008

Crítica ao cinema colombiano: Augusto Bernal para El Tiempo

Um dos principais nomes da crítica cinematográfica na Colômbia, Augusto Bernal cedeu uma entrevista ao jornal local El Tiempo, em que comentou as falhas, ao seu ver, da atual fase do cinema colombiano – considerada por muitos um “boom”, mas, por ele, algo muito menos promissor, se não se buscar criar uma cinematografia ao invés de simplesmente fazer filmes.

“Há grandes filmes, mas não cinematografia”, declarou o diretor da escola de cinema Black María, de Bogotá. “Ouvi dizer que uma cinematografia é o reflexo de um país maduro, mas somos um país que apenas está entrando na puberdade. E a isso se soma o fato que produzimos não qualidade, mas quantidade. E as transformações da tecnologia, porque a facilidade de fazer um filme fez com que se perda rigor, profissionalismo”.

Confira trechos da entrevista.

El Tiempo: Que filmes do último ano você destacaria?

Augusto Bernal: De 18 filmes, nenhum é resgatável. Tem um que me causa enorme curiosidade. Não sei se foi mal lançado ou promovido. Foi Apocalipsur. Esteve em festivais de categoria e tem um prêmio em Cartagena, mas não teve disposição do público. (…) Satanás e Paraíso travel, os dois grandes pilares do Hollywood colombiano, ultrapassam os orçamentos de qualquer filme colombiano, mas, se se olha os prêmios e a justificativa em festivais e propostas, não aportam nada. Perro como perro, sim, conseguiu tudo isso.

O público se queixa que o cinema local está obcecado com um único tema…

As pessoas dizem que tem muitos filmes de violência, mas o país tem que se olhar para se justificar. Tem que deixar de ser um vampiro, que não se olha no espelho porque não se vê. Enquanto não nos vejamos, não vamos fazer cinema. Somos um povo violento. Vivemos da violência. Me pergunto o que passou com Heridas, de Roberto Flores, que é uma crítica à segurança democrática e não o deixaram sair, porque causa dano à imagem do país.

Qual é a grande debilidade da nossa nascente cinematografia?

Educação audiovisual no sentido geral da palavra. Que os cineclubes têm que ser mais rigorosos. Que a crítica tem que ser mais honesta. Que os diretores têm que se preparar. Que as políticas audiovisuais têm que ser mais pontuais. Acreditamos que estamos fazendo um grande cinema, quando na verdade não.

O que é um bom exemplo de compromisso?

Jaime Osorio com Confesión a Laura. Alberto Restrepo con La primera noche. Os filmes de Mayolo. Poderia estar nessa lista o Luis Ospina com Un tigre de papel, que é uma boa sátira. Mas o público colombiano detesta pensar. E quando pensa, dorme.

Entre as pessoas que estão trabalhando, quem merece que se fique de olho desde já?

Rubén Mendonza. Que disciplina. Conhece sua história. É puro ouro. É capaz de ver as pessoas que não interessam a ninguém e de encontrar beleza no que é feio. Tem um olho incrível. De Spiros, que foi aluno da Black María, tem que esperar como vai funcionar dentro de Hollywood. Espero que Ciro Guerra consiga encontrar sua verdadeira dramaturgia. A outra é a geração de 40 anos. Carlos Moreno. Óscar Campo, que certamente seguirá fazendo documentários. Alberto Restrepo, que está para lançar seu segundo longa. Libia Estella Gómez. Roberto Flores. Há uma geração interessante que vem da costa.

Leia a entrevista completa na página do El Tiempo.

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Festival de Lima apresenta programação variada

Começa no próximo dia 07.08 (e vai até 15.08) a 12ª edição do Festival de Lima, que promete exibir filmes de vários países – não exatamente na competição principal, mas na seção de documentários e nas mostras paralelas, incluindo 13 títulos da Alemanha, país convidado deste ano – e oferece exposições sobre temas relacionados ao cinema.

São 21 produções, em sua maioria da América Latina, as que integram a competição por melhor ficção, como La mujer sin cabeza e Leonera, dos argentinos Lucrecia Martel e Pablo Trapero, respectivamente, Mutum e Tropa de elite, dos brasileiros Sandra Kogut e José Padilha, Los bastardos e Te acuerdas de Lake Tahoe, dos mexicanos Amat Escalante e Fernando Eimbcke, e os peruanos Dioses, de Josué Méndez (que também compete em Locarno, de 06 a 16.08), e El acuarelista, de Daniel Rodríguez – estes últimos estreando oficialmente no festival peruano.

Já da seção de documentários participam nove títulos, incluindo Jogo de cena, do brasileiro Eduardo Coutinho, Vengo de un avión que cayó en las montañas, do uruguaio Gonzalo Arijon, e Volviendo a la luz, da peruana Delia Ackermann.

Além das seis premiações na categoria de ficção e do melhor documentário, o festival entregará dois troféus Spondylus ao melhores filmes segundo a crítica internacional e outros dois aos escolhidos do público.

A apresentação especial “La vuelta al mundo en 8 días” exibirá títulos que fora do festival dificilmente são distribuídos no Peru, como é o caso do documentário de Martin Scorcese sobre os Rolling Stones, Shine a light, além de Fados, do espanhol Carlos Saura, e de Lust Caution, de Ang Lee.

A homenagem do ano vai para o escritor Mario Vargas Llosa, que estará no comando do júri e protagonizará uma das principais exposições realizadas junto com evento, na Casa O’Higgins do Instituto Riva Agüero (PUCP). Outra exposição paralela que merece destaque é a que aborda a história das salas de cinema mais emblemáticas (e praticamente extintas) de Lima no Centro da Imagem.

Veja mais informações e a programação completa do festival no novo site que acaba de estrear.

Foto: cartaz do filme peruano El acuarelista, que estréia no Festival de Lima.

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(English) (Español) Festival de Lima ofrece programación variada

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(English) (Español) Entrevista: Tomi Streiff, de New World Cinema Series

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Entrevista: Tomi Streiff, do New World Cinema Series

Os Estados Unidos verão em 2009 o nascimento de uma nova iniciativa dirigida a distribuir filmes “não norte-americanos” nas suas salas comerciais. Com o nome de New World Cinema Series (NWCS), Matson Films e Belladonna Productions têm previsto estrear seis filmes latino-americanos independentes em 20 cidades dos Estados Unidos. Confira a entrevista de Tomi Streiff, responsável pela seleção de películas, ao portal LatAm Cinema.

Como nasceu o NWCS?

Desta iniciativa participam três partes. Em Nova York, está a Belladonna Films, que é uma produtora de cinema e tem vasta experiência no campo de publicidade. Hoje em dia, é necessário muito dinheiro para lançar um filme, e a novidade neste caso é que utilizaremos patrocínios para financiar esses lançamentos. Por isso, o que é interessante do NWCS é que não será necessário recuperar o investimento inicial para divulgar o lançamento dos filmes e distribuir os lucros. Neste caso, 60% irão para o cinema, como é habitual, e os 40% restantes serão divididos em partes iguais entre o distribuidor e o produtor. Desde a primeira entrada vendida.

Belladonna é a parte financeira. Também tem a Matson Films, que é uma distribuidora que sabe muito bem como distribuir cinema alternativo nos Estados Unidos. Neste momento, as grandes empresas estão investindo em média uns 25 milhões de dólares na publicidade dos filmes independentes. Por isso, se você não tem esse dinheiro, tem que saber se mover bem e criar eventos como este, onde vai haver seis filmes passando por distintas cidades.

Que tipo de filmes vocês estão buscando?

A terceira parte deste esquema somos nós, a Streiffschuss Films, que, graças à experiência em ambos mundos, vai servir de conexão entre os Estados Unidos e a América Latina. Com respeito à seleção, vai ser muito aberta, e nela pode haver desde documentários até filmes de ficção. Como requisitos indispensáveis, as fitas têm que ter mais de 70 minutos, não mais de quatro anos e não podem ter sido estreadas nem distribuídas comercialmente nos Estados Unidos, ainda que sim valorizemos positivamente participações em festivais. Em termos gerais, buscamos obras que sejam autênticas, diferentes e com uma dimensão global. Não queremos nos centrar em um cinema local que seja difícil de entender no resto do mundo.

A que público se dirigem?

Pensamos tanto num público interessado em filmes de “art house” como num público latino que não pode ver seu cinema nos Estados Unidos. Por isso, vamos estar presentes em cidades que tenham uma comunidade hispânica importante, mas também onde exista um público interessado em ver cinema de outras partes do mundo. De todas as maneiras, é importante destacar que os filmes serão estreados em salas comerciais, não em centros culturais ou museus.

Quanto tempo os filmes ficarão em cartaz?

Temos planejado lançar um novo filme a cada dois meses. Os filmes serão estreados em umas 20 cidades, onde permanecerão em média dois meses. Em outras palavras, a estréia será em duas ou três cidades ao mesmo tempo. A idéia é que o diretor esteja presente para apresentar seu filme na maior quantidade de cidades possível.

Quando termina o processo de seleção?

Estamos no começo da etapa de seleção. O primeiro filme será estreado em janeiro de 2009, assim que o processo de seleção vai até o mês de agosto. Logo será feita a seleção final, e começará a ser movimento todo o mecanismo comercial do projeto.

A experiência continua em 2010?

Esperemos que sim. Provavelmente será com filmes do leste europeu. De todas as maneiras, tudo vai depender de como funciona este primeiro ciclo. De repente, o ciclo sul-americano funciona bem e repetimos a experiência.

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Cine latino em curtas IX

Festival de Gramado anuncia sua programação para agosto e os três projetos latino-americanos que serão apoiados pelo World Cinema Fund.

:: 36º Festival de Gramado confirma seleção oficial de filmes nacionais e estrangeiros

A 36ª edição do Festival de Gramado já tem data e programação confirmadas: o evento, que exibirá o filme Dias e noites (foto), de Beto Souza, na abertura, acontece de 10 a 16.08 com seis filmes brasileiros e cinco estrangeiros na competição principal.

Da seleção nacional fazem parte Juventude, de Domingos Oliveira, Nome próprio, de Murilo Salles, Vingança, de Paulo Pons, A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele, Netto e o domador de cavalos, de Tabajara Ruas, e Pachamama, de Eryk Rocha. Já entre os importados estão Perro come perro, de Carlos Moreno (Colômbia), Muñeca, de Sebastián Arrau (Chile), Por sus propios ojos, de Liliana Paolinelli (Argentina), Cochochi, de Israel Cardenas e Laura Guzmán (México), e Mindelo, de Alexis Tsafas (Cabo Verde).

Os homenageados desta edição são os brasileiros Walmor Chagas, Júlio Bressane e Renato Aragão e o cineasta cubano Julio García Espinosa. O Festival de Gramado organiza também a mostra competitiva de curtas metragens, uma mostra não-competitiva e uma seleção especial de curtas gaúchos.

:: World Cinema Fund apoiará um brasileiro, um argentino e um colombiano

O fundo alemão de apoio à produção cinematográfica selecionou a produção brasileira Filmofobia, primeiro longa de ficção de Kiko Goifman, que receberá 25 mil euros para finalizar a sua edição. Os outros dois selecionados latinos num total de 110 inscritos foram o argentino Medianeras, de Gustavo Taretto, e o colombiano La sociedad del semáforo, de Rubén Mendoza, que serão beneficiados cada um com 50 mil euros. A lista também conta com o libanês Every day is a holiday, de Dima El-Horr, e o turco Pandora’s Box, de Yesim Ustaoglu, que receberão, respectivamente, 50 e 25 mil euros.

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Festival Latino de SP premia Jogo de cena e Estrellas

Terminou neste domingo (13.07) mais uma edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que reuniu mais de 16 mil pessoas interessadas no cinema feito do México à Argentina nas exibições de 125 filmes, quatro mesas de debate, cinco oficinas, dois lançamentos de livros e uma aula magna. A programação, apesar de ter incluído poucos títulos realmente recentes dos países participantes, apresentou bons filmes ao longo de sete dias de evento.

Jogo de cena
, de Eduardo Coutinho (foto), foi o vencedor do festival segundo o público (e do prêmio da crítica no Festival de Paulínia, que aconteceu quase que em paralelo). Já de acordo com o júri especializado, quem levou foi o filme argentino Estrellas, de Federico León e Marcos Martinez. O curta Habitación, do argentino Juan Carlos Zapata, da Universidad del Cine (FUC), foi o escolhido pela crítica na mostra paralela de filmes produzidos por estudantes das escolas de cinema latino-americanas filiadas à CILECT (International Association of Film and Television Schools). O mexicano Hamac Caziim, de Jerónimo Barriga, levou a menção honrosa.

Além da homenagem a Fernando Solanas na noite de encerramento – ocasião em que foi exibido seu Tangos, o exílio de Gardel –, alguns filmes receberam menção honrosa do júri de críticos, presidido pela jornalista Maria do Rosário Caetano. Entre eles, estão o documentário Serras de desordem, de Andrea Tonacci, e Una novia errante, de Ana Katz.

Alice Braga em júri do Festival de Veneza

A atriz brasileira Alice Braga, que ficou conhecida a partir de suas atuações em Cidade de Deus (Fernando Meirelles) e Cidade Baixa (Sérgio Machado), foi convidada para fazer parte do júri Luigi di Laurentiis do Festival de Veneza – que premia o melhor filme de um cineasta estreante e terá como presidente o cineasta da Tunísia Abdellatif Kechiche, de O segredo do grão (La graine et le mulet).

Alice é atualmente a mais cotada atriz brasileira em Hollywood, atuando em filmes de grande porte internacional como Eu sou a lenda, de Francis Lawrence, e, recentemente, Blindness, De Fernando Meirelles - que estréia no Brasil em 12.09.

O Festival de Veneza, um dos três mais importantes da Europa ao lado de Cannes e Berlim, celebra este ano sua 65ª edição, que acontecerá de 27.08 a 06.09. O júri da competição oficial será comandado pelo cineasta alemão Wim Wenders, e o filme Burn after reading, de Ethan e Joel Coen, abrirá esta edição.

Ingrid cinematográfica

A gente já sabia que a notícia ia pipocar, mas que tenha sido tão rápido e com tantos detalhes definidos não deixa de surpreender: o resgate épico da ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt junto com outros 14 seqüestrados pelas FARC vai virar filme nas mãos do cineasta colombiano – radicado nos Estados Unidos – Simon Brand (Unknown e Paraíso Travel).

Veja entrevista anterior de Simon Brand à Latina aqui.

A chamada “Operación Jaque” vai para o cinema com o apoio do canal RCN Televisión, que irá supervisar as filmagens realizadas pela produtora de Brand ainda não se sabe se na França, nos Estados Unidos ou na Colômbia.

Realmente, era de se esperar. O episódio do resgate tem tanto de cinematográfico, que Ingrid já foi convidada pelo presidente do Festival de Veneza, Paolo Baratta, e pelo prefeito da cidade, Massimo Cacciari, para comparecer à 65ª edição do evento, que será realizado entre 27.08 e 06.09. Ingrid, por sinal, já está cotada para receber o próximo Nobel da Paz. E viva a sociedade do espetáculo.

The kidnapping of Ingrid Betancourt

Ingrid é tema de um documentário realizado em maio de 2002 pelos cineastas norte-americanos Victoria Bruce e Karin Hayes. Na época, por causa o seqüestro que aconteceu em fevereiro do mesmo ano, a dupla transformou o filme que ia fazer sobre sua campanha eleitoral para a presidência da Colômbia em um registro da luta da família de Ingrid pela sua liberação pelas FARC. Saiba mais no site da produtora responsável.

Por Camila Moraes

(Via La Tercera)

Cine latino em curtas VIII

Latinos selecionados para o festival de Torono, o filme brasileiro Estômago no exterior e os vencedores do Cinesul no Rio de Janeiro. Confira!

:: Festival de Toronto anuncia filmes selecionados; de Cannes, vêm os latinos Trapero e Walter Salles

Evento importante no circuito dos grandes festivais internacionais de cinema, o Festival de Toronto já confirmou os primeiros títulos que farão parte da sua 34ª edição, que acontece de 04 a 13.09. Entre os latinos, estarão presentes vários argentinos: Los paranoicos (seção Discovery), de Gabriel Medina, Leonera (seção Contemporary World Cinema), de Pablo Trapero, Liverpool (seção Visions), de Lisandro Alonso, e Salamandra (seção Discovery), de Pablo Agüero – além de uma co-produção com o Uruguai, intitulada Uruguay Acné, de Fernando Veroj (seção Contemporary World Cinema). Do Brasil, comparece Linha de passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, que esteve em maio em Cannes, assim como Leonera, de Trapero. Acompanhe novidades no site do festival.

:: Estômago representa o Brasil no exterior

Estômago, de Marcos Jorge, vai abrir abrir a Mostra Première Brazil no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), dia 17.07. O filme, protagonizado pelo ator João Miguel (foto) irá representar o Brasil em mais dois eventos internacionais: 25º Festival de Cinema de Jerusalém, de 10 a 19.07, em Israel, e, na África do Sul, no Festival Internacional de Cinema de Durban, de 23.07 a 03.08.

:: Mexicanos levam os prêmios do Cinesul

Os mexicanos levaram os prêmios máximos do 15º Cinesul, encerrado em 29.06. Na categoria longa-metragem de ficção, Partes usadas (Aarón Fernández Lesur) saiu vencedor e, na de documentários, quem levou foi Bajo Juaréz: la ciudad devorando a sus hijas (Alejandra Sánchez Orozco y José Antonio Cordero). Ao longo de 11 dias, o festival exibiu 260 produções de 16 países ibero-americanos. Segundo a organização do evento, seis mil espectadores assistiram aos filmes selecionados este ano. No prêmio do júri popular, importante dentro do festival, que tem o objetivo de formar público, o vencedor foi o filme colombiano Buscando a Miguel (Juan Fischer).