
Os Estados Unidos verão em 2009 o nascimento de uma nova iniciativa dirigida a distribuir filmes “não norte-americanos” nas suas salas comerciais. Com o nome de New World Cinema Series (NWCS), Matson Films e Belladonna Productions têm previsto estrear seis filmes latino-americanos independentes em 20 cidades dos Estados Unidos. Confira a entrevista de Tomi Streiff, responsável pela seleção de películas, ao portal LatAm Cinema.
Como nasceu o NWCS?
Desta iniciativa participam três partes. Em Nova York, está a Belladonna Films, que é uma produtora de cinema e tem vasta experiência no campo de publicidade. Hoje em dia, é necessário muito dinheiro para lançar um filme, e a novidade neste caso é que utilizaremos patrocínios para financiar esses lançamentos. Por isso, o que é interessante do NWCS é que não será necessário recuperar o investimento inicial para divulgar o lançamento dos filmes e distribuir os lucros. Neste caso, 60% irão para o cinema, como é habitual, e os 40% restantes serão divididos em partes iguais entre o distribuidor e o produtor. Desde a primeira entrada vendida.
Belladonna é a parte financeira. Também tem a Matson Films, que é uma distribuidora que sabe muito bem como distribuir cinema alternativo nos Estados Unidos. Neste momento, as grandes empresas estão investindo em média uns 25 milhões de dólares na publicidade dos filmes independentes. Por isso, se você não tem esse dinheiro, tem que saber se mover bem e criar eventos como este, onde vai haver seis filmes passando por distintas cidades.
Que tipo de filmes vocês estão buscando?
A terceira parte deste esquema somos nós, a Streiffschuss Films, que, graças à experiência em ambos mundos, vai servir de conexão entre os Estados Unidos e a América Latina. Com respeito à seleção, vai ser muito aberta, e nela pode haver desde documentários até filmes de ficção. Como requisitos indispensáveis, as fitas têm que ter mais de 70 minutos, não mais de quatro anos e não podem ter sido estreadas nem distribuídas comercialmente nos Estados Unidos, ainda que sim valorizemos positivamente participações em festivais. Em termos gerais, buscamos obras que sejam autênticas, diferentes e com uma dimensão global. Não queremos nos centrar em um cinema local que seja difícil de entender no resto do mundo.
A que público se dirigem?
Pensamos tanto num público interessado em filmes de “art house” como num público latino que não pode ver seu cinema nos Estados Unidos. Por isso, vamos estar presentes em cidades que tenham uma comunidade hispânica importante, mas também onde exista um público interessado em ver cinema de outras partes do mundo. De todas as maneiras, é importante destacar que os filmes serão estreados em salas comerciais, não em centros culturais ou museus.
Quanto tempo os filmes ficarão em cartaz?
Temos planejado lançar um novo filme a cada dois meses. Os filmes serão estreados em umas 20 cidades, onde permanecerão em média dois meses. Em outras palavras, a estréia será em duas ou três cidades ao mesmo tempo. A idéia é que o diretor esteja presente para apresentar seu filme na maior quantidade de cidades possível.
Quando termina o processo de seleção?
Estamos no começo da etapa de seleção. O primeiro filme será estreado em janeiro de 2009, assim que o processo de seleção vai até o mês de agosto. Logo será feita a seleção final, e começará a ser movimento todo o mecanismo comercial do projeto.
A experiência continua em 2010?
Esperemos que sim. Provavelmente será com filmes do leste europeu. De todas as maneiras, tudo vai depender de como funciona este primeiro ciclo. De repente, o ciclo sul-americano funciona bem e repetimos a experiência.
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