Un tigre de papel é o nome do novo documentário do realizador colombiano Luis Ospina, a estrear nas salas da Colômbia agora no começo de outubro. No filme, Ospina - nascido em Cali e reconhecido por películas importantes para a cinematografia colombiana, como Soplo de vida - constrói a radiografia da vida do curioso artista Pedro Manrique Figueroa, precursor da collage na Colômbia, nascido em 1934.
A partir do misterioso desaparecimento do personagem em 1981, o filme aborda questões que envolviam o pensamento artístico nas décadas de 60 e 70, como a relação entre arte e política, e, no que se refere à forma, discute as distâncias entre realidade e mentira e entre o documentário e a ficção. Assim, a divertida questão que envolve o espectador logo nas primeiras seqüências do documentário – “Manrique Figueroa realmente existiu?” – dá espaço a uma reflexão sobre a construção de relatos verídicos no cinema, além de tocar as utopias de inúmeros artistas-militantes anônimos que marcaram a história sem nem fazer parte dela.
O lançamento de Un tigre de papel, rodada na Colômbia, România, China, Inglaterra, Venezuela, Estados Unidos, Francia e Índia, aconteceu no último domingo, 30.09, em Bogotá, durante a 11ª edição do festival da revista cultural El Malpensante. Junto à estréia, Luis Ospina apresentou também seu novo livro, Palabras al viento, mis sobras completas (Ediciones Aguilar del Grupo Santillana), uma recopilação de textos sobre cinema do realizador, que ao longo de sua carreira, também se dedicou a escrever artigos e crônicas, além de reflexões sobre sua obra e de cartas trocadas com os diretores Andrés Caicedo e Carlos Mayolo.
Sobre seu novo documentário, Luis Ospina comentou ao Portal del Cine Latino-Americano y del Caribe: “Ao ficar sabendo deste artista desconhecido, pensei que seria um bom pretexto para fazer um documentário sobre os anos 60 e 70 (…). Tanto se disse sobre essas décadas que já não sabemos em que acreditar. É um período que foi idealizado, mistificado e ficcionalizado. Mas, pelo menos, naquela época que hoje parece tão distante, havia ideais e existia a esperança de uma utopia coletiva. Foi provavelmente o último momento em que a humanidade pensou que poderia mudar o mundo. Agora simplesmente nos conformamos com ‘salvar o planeta’”.
Por Camila Moraes
