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(English) (Español) Nocturnia, nueva producción boliviana hecha en EUA
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Argumento de En la cama anda popular

Parece que Matías Bize detectou no ar uma história que muita gente andava querendo contar. O cineasta chileno lançou em 2005 seu premiado En la cama (foto), uma co-produção Chile-Alemanha de 85 minutos, dirigida por ele com roteiro escrito por Julio Rojas.
Filmado em um quarto de hotel, o filme narra a noite de um casal de desconhecidos que passa uma noite juntos – argumento que atraiu, em um primeiro momento, o colombiano Gustavo Nieto Roa, que lançou este ano seu Entre sábanas, feito na Colômbia com um ator colombiano (Marlon Moreno) e uma atriz mexicana (Karina Mora). Aparentemente, Gustavo teve alguns embates com Matías e seu produtor pela semelhança entre as histórias, mas seguiu adiante e filmou também Entre lençóis, a versão brasileira de Entre sábanas, que poderá ganhar também um remake norte-americano no futuro.
Quem também se comoveu com o encontro casual de um homem e uma mulher foi Julio Medem, diretor de Tierra, Los amantes del círculo polar, Lucía y el sexo e, recentemente, Caótica Ana. O espanhol também já anunciou seu remake, que terá Elena Anaya (Lucía y el sexo, Hable com ella) como a mulher que passa a noite com um desconhecido russo no quarto de um hotel em Roma.
Por Camila Moraes
Curtas de Carlos Reygadas na TV

Essa é uma dica para quem assiste televisão peruana. “El placer de los ojos”, o programa dominical de Ricardo Bedoya, crítico e professor de cinema radicado em Lima, transmitido pela Televisión Nacional TV Perú, estréia 2008 com conteúdo nota dez. Quarta-feira, dia 16.01, serão re-exibidos (a primeira exibição foi neste domingo, dia 13) os trabalhos em curta metragem do aclamado diretor mexicano Carlos Reygadas, intitulados Max e Adulte.
Reygadas é o autor de Luz silenciosa, seu terceiro longa, que estreou recentemente em salas comerciais do México e de alguns países europeus após começar a arrematar prêmios em Cannes-2007 (os filmes anteriores do diretor são Japão e Batalha no céu e também foram selecionados em edições anteriores do evento). Foi vencedor dos festivais de Lima e Havana no ano passado e, como todos os trabalhos do mexicano, mexe com as platéias.
Outro destaque da programação de “El placer de los ojos” neste dia é um informe especial sobre o cineasta Paul Verhoeven, um holandês em Hollywood.
Bom cinema, boa TV.
Festival de Cine Pobre, em Cuba, convoca participantes
Acontece de 14 a 20.04 em Gibara, em Cuba, a sexta edição do Festival Internacional del Cine Pobre, organizado pelo Instituto Cubano del Arte e Indústria Cinematográficos (ICAIC) e especialmente dedicado à um cinema “libertário, independente, íntegro, transgressor, marginal, contra a corrente e pobre” – usando as palavras da organização do evento, cujo curador é o cineasta cubano Humberto Solás.
O festival está dividido em seções, como a de projetos em andamento e roteiros inéditos, documentários, video arte e obras experimentais, mostra de novas tecnologias e homenagens. Em todos os casos (projetos analógicos ou digitais), a regra é o baixo orçamento, e para quem quiser competir, a data limite para o envio de material é 15.01.
Mais informações no site do evento: www.cubacine.cu/cinepobre.
Tomando o pulso da Colômbia
Diego García-Moreno, documentarista colombiano com mais de 20 anos de experiência, quer provocar uma “catarse social na Colômbia”. Para isso, fez um filme sobre o maior dos símbolos – e o maior dos símbolos do seu país – o coração.
Estréia amanhã (25.10), em toda Colômbia, incluindo seus cantos mais remotos, o documentário Proyectando… El corazón, um longa-metragem que, a partir da história de dois personagens principais, ligados por problemas de coração, tem o objetivo de estabelecer uma relação entre o órgão físico e o coração social. Para isso, e usando o cinema como plataforma mas não se reduzindo a ele, García-Moreno foi na raiz do problema que é chegar ao público, e optou por uma estratégia de distribuição alternativa, massiva e, ele espera, transformadora.
El corazón será exibido simultaneamente em 150 “salas” do país, incluindo espaços como universidades, casas de cultura e praças ao ar livre. Após a projeção do filme, a idéia é comentar seu tema, cantar músicas e ler poesias e, com isso, provocar uma renovação do pensamento de espectadores que estiveram longe do cinema, seja por esquecimento de quem faz os filmes ou por puro desinteresse.
O diretor falou com exclusividade à Latina sobre seu projeto. Confira o bate-papo e torça pela estréia no Brasil (o filme foi parte da última edição do festival É Tudo Verdade, de São Paulo).
Como será a estréia de El corazón?
Será alternativa. Não um evento de tapete vermelho, mas um evento social em que o detonador é o cinema. O filme é uma desculpa para pensar no nosso próprio país, na guerra que nos tocou viver, no nosso coração social que está doente. Estaremos em espaços diferentes, além das salas de cinema, e em diferentes partes da Colômbia, incluindo zonas de conflito.
De que trata o documentário?
É um seguimento a um soldado que foi atingido por uma mina em Medellín, e essa mina se instalou dentro do seu coração. De um lado, por puro milagre, ou “obra do Sagrado Coração”, e de outro, pelo trabalho de um médico, o soldado se salvou. Ele foi operado por um especialista local em operações de coração aberto por trauma, um dos poucos no mundo, cuja mulher mais tarde também adoeceu do coração. Tudo isso no país do Sagrado Coração, e do coração em guerra, que é a Colômbia.
Qual sua opinião sobre o atual panorama de incentivo à produção cinematográfica na Colômbia?
Acho que está muito bem. Minha crítica é que o incentivo à produção de documentários seja tão reduzida. Apesar da lei de cinema ter oferecido ajudas – El corazón, por exemplo, faz parte disso –, pouco ainda foi feito, sobretudo num país como a Colômbia, em que a produção documental tem enorme importância. Enfim, ainda estamos por construí-lo.
Na sua opinião, a Colômbia tem tradição documental?
Há documentários importantes aqui. O fato é que, nos países latinos, a relação com o real é extremamente importante. É uma necessidade, independente de falar de uma cinematografia. É criar memória, é ser testemunha de seu próprio tempo.
Fox lança série 100% latino-americana
Estréia nesta quinta-feira, 25.10, a primeira série da Fox que é totalmente produzida na América Latina. Intitulado Tiempo final e filmado em High Definition com apenas uma câmera, o programa fará um revezamento de diretores e atores latinos.
Quem começa na direção é um trio de cineastas colombianos – Juan Felipe Orozco (Al final del espectro), Felipe Martínez (Bluff) y Ricardo Grabrielli (Cuando rompen las olas) –, todos ganhadores de convocatórias do fundo nacional de apoio ao cinema. O roteiro dos capítulos dirigidos por eles ficou a cargo do colombiano Manuel Arias (La gente de la universal, Bolívar soy yo, No pongas tus puercas manos sobre mi). Sob a responsabilidade dos produtores argentinos Alejandro e Sebastián Borensztein, as gravações (cada capítulo tem 60 minutos) acontecem em Bogotá.
A série é uma adaptação de uma trama de suspense exibida há alguns anos pela Telefe. Segundo Emiliano Saccone, VP Senior de Marketing e Entretenimento da Fox, “Tiempo final é uma aposta grande da Fox, tendo em conta o objetivo de gerar através do talento de produção latino-americano conteúdos de ficção que podem estar a altura de séries como 24 Horas ou Nip/Tuck”.
Veja trechos do primeiro capítulo em: http://tiempofinal.mundofox.com.
Cine latino em “curtas” V
Notícias rápidas sobre cinema latino: mais candidatos ao Oscar estrangeiro em 2008, mostra de cinema venezuelano na Itália e os vencedores de Biarritz e San Sebastián. Confira.
:: Mais Oscar
Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia eram os últimos países latinos que ainda estavam por anunciar seus candidatos à corrida do Oscar estrangeiro. Argentina ficou com XXY, de Lucía Puenzo, que superou as preferências por La señal, de Ricardo Darín (que atua em XXY), e La antena, de Esteban Sapir. O Uruguai, com grandes chances de ser selecionado, foi por seu adorável O banheiro do papa (El baño del papa), de Enrique Fernández e César Charlone (leia abaixo sobre a premiação de O banheiro… em San Sebastián). O Chile ficou com Padre Nuestro, segundo filme de Rodrigo Sepúlveda. A mesma escolha vale para o Goya, da Espanha. Já a Bolívia fez péssima escolha por Los Andes no creen en Dios, romance histórico de trama fraca e em formato televisivo.
:: Mais Chávez
A Casa del Cine de Villa Borghese, em Roma, na Itália, irá abrigar entre 05 e 07.10 uma mostra de cinema venezuelano. A iniciativa se chama “Focus Venezuela” – mais uma dentro dos impulsos do governo de Chávez para divulgar a cinematografia da Venezuela – e foi organizada pela Embaixada venezuelana em cooperação com a Casa del Cine. Confira a programação no site da Embaixada e visite o site da Casa del Cine de Roma.
:: Festivais de Biarritz e de San Sebastián anunciaram seus vencedores
Foi a venezuelana Mariana Rondón, com seu Postales de Leningrado, quem arrematou o prêmio “Abrazo” do festival de Biarritz, na França. No mesmo evento, a escolha do público foi a co-produção Uruguai-Argentina-Chile Matar a todos. Já em San Sebastían, na Espanha, o grande vencedor do prêmio “Horizontes” foi o filme uruguaio O banheiro do papa (El baño del papa), de Enrique Fernández e César Charlone. O incentivo de 35 mil euros será dividido em 10 mil para o diretor e 25 mil para o distribuidor espanhol (Golem Distribuición). O disputado prêmio Cine en Construcción deste ano, de um grupo de empresas que oferece ajuda para pós-produção de produções latinas já rodadas, foi para a guatemalteca Gasolina, de Julio Hernández Cordón. O filme também levou o prêmio Casa de América, que consiste em uma ajuda de também de pós no valor de 10 mil euros, além do prêmio Confederación Internacional de Cines de Arte y Ensayo (CICAE), que dá apoio à exibição em salas da França. Saiba mais nos sites de Biarritz e de San Sebastián.
Foto: cena de Gasolina, do guatemalteco Julio Hernández Cordón.
Fujimori no cinema
Em momento de acerto de contas históricas, o Peru recebe de volta ao seu território Alberto Fujimori, que foi extraditado do Chile no último sábado, 22.09. Nesse contexto, o site peruano Cinencuentro aproveitou para fazer um resumo de filmes – ficções e documentários – em que o ditador aparece.
Diz que não é pouca coisa e, apesar de serem ruins as lembranças, vale a pena ativar a memória através do cinema. Por isso, veja o trailer de Estado de Miedo (State of Fear, 2005), um dos filmes que narra parte dos fatos que aconteceram durante governo de Fujimori no Peru, nos anos 90, e confira mais títulos sobre o tema aqui.
Cachimba: comédia chilena de amor e delírio
A primeira comédia de Silvio Caiozzi, um dos mais premiados cineastas do Chile, é repleta de toques surreais e baseada em um conto do escritor chileno José Donoso, integrante da geração do Realismo Fantástico.
Entitulada Cachimba e finalizada em 2004, foi exibida no Brasil durante o Festival do Rio de 2005. Para o pai da idéia, sua narrativa se limita ao fantástico, não transbordando pelo gênero: “Eu quis deixar bem claro quem eram os ‘mocinhos’ e os ‘bandidos’ em entrevista à assessoria do festival”.
Quando o estranho casal de protagonistas, Marcos, um funcionário de banco com obsessão pela preservação do passado, e Hilda, sua namorada gordinha, descobrem numa cidade de praia um museu abandonado que abriga a obra de um pintor desconhecido, as coisas tomam um rumo interessante. Surge então um das figuras mais absurdas da história: Don Felipe, guardião do museu. Aí se desenrola uma trajetória em que cabem também críticas ao neoliberalismo e à cultura de competitividade atual.
Na opinião dos críticos, porém, o filme deixa a desejar. Segundo o brasileiro César Zamberlan, do site Cinequanon: “Cachimba não faz jus à boa fase do cinema latino-americano recente e peca pelo tom caricato, maniqueísta e falsamente ingênuo”.
Controvérsias à parte, é fato que Silvio Caiozzi traz em um currículo cheio de trabalhos interessantes: a participação como diretor de fotografia da obra-prima Estado de Sítio (1972), do grego Costa-Gravas, é um deles. Alguns anos depois, com o golpe no Chile, Caiozzi conta que: “[...] Eu e a maioria dos cineastas chilenos fomos trabalhar com publicidade. Afinal, já que não tínhamos mais liberdade de contar nossas histórias no cinema, precisávamos fazer alguma coisa. E a publicidade sempre rendeu um bom dinheiro. Que eu consegui juntar para mais tarde fazer meus próprios filmes como diretor”.
A filmografia de Caiozzi compreende grandes êxitos: La luna en el espejo (1990) ganhou 14 prêmios, Coronación (2000, co-escrito por Silvio Caiozzi e o escritor Jose Donoso), 36 prêmios e, claro, Cachimba, seu último longa, conquistou mais de 15 prêmios internacionais. Em entrevista ao jornalista Oswaldo Lopes Jr., Caiozzi menciona outro de seus trabalhos: “[...] O que mais me enche de orgulho é ser o autor do filme escolhido por voto popular em 2000 como “O Melhor Filme Chileno do Século 20”, Julio comienza en julio (1979). Esse título foi o povo que escolheu, e isso faz toda a diferença”.
Veja mais sobre o filme em: www.cachimba.cl.
Por Paula Skromov

